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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Até quanto a Dassault poderá baixar o preço do Rafale?

A Dassault Aviation tem como acionistas o Dassault Group (50,55%) , EADS (46,32%) e investidores privados (3,13%).

Dassault Aviation

Os gráficos abaixo mostram os números disponíveis no relatório dos resultados financeiros da Dassault Aviation, apresentado em julho de 2009:

Dassault results 2009 1

Dassault results 2009 2

Os números mostram um declínio nas encomendas e nas vendas dos jatos da Dassault, por causa da crise financeira mundial. Para piorar a situação, na área militar, o Rafale não emplacou nenhuma venda até o momento, o que poderia ajudar a melhorar os resultados a médio prazo.

Para vender o Rafale ao Brasil, a Dassault não poderá fazer um preço muito diferente do praticado com o Governo Francês (€64 milhões por unidade). Não podemos esquecer que a empresa tem que prestar contas aos seus acionistas.

Fonte:Poder Aereo

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

5 helicópteros AS532 Cougar para a Albânia

Eurocopter AS532 Cougar da Albânia

Font
e: Eurocopter – Via: Cavok

Eurocopter AS532 Cougar da Albânia

O ministério da defesa da Albânia assinou um contrato de US$ 78,6 milhões para compra de cinco helicópteros Eurocopter AS-532AL Cougar, que deverão entrar em serviço nos próximos três ou quatro anos.

O helicóptero AS-532AL Cougar é uma versão militar do Super Puma. Este é um dos mais importantes programas para as forças armadas da Albânia nos últimos 30 anos. Através desse projeto, o país está dando um importante passo a frente para satisfazer os padrões exigidos da OTAN e na modernização das forças armadas do país.

O ex-país comunista de fato recentemente uniu-se ao Tratado e objetiva uma transformação nas suas capacidades de defesa graças a uma drástica modernização de suas forças armadas: novos helicópteros, aeronaves de combate, tanques e veículos blindados permitirão ao ministério de defesa transformar seus equipamento bélicos numa força totalmente profissional nos próximos meses.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Romênia com Mirage 2000-9 Ex- Emirados Árabes Unidos ?

A imagem “http://www.ziua.ro/pics/2009/09/29/1254220861.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Romênia com Mirage 2000-9 Ex- Emirados Árabes Unidos
By Vinna com informações do ziua.net

A Romênia poderá ser o destino de parte dos caças franceses Mirage 2000-9 que estão em operação nos Emirados Árabes Unidos - EAU caso o país árabe resolva adeqüei o Rafale, segundo informou o Francês "Le Point".

Segundo o jornal os Mirage 2009-9 devem ser recebidos pela frança como parte do pagamento caso se efetive a compra pelos Emirados Árabes Unidos – EAU de 63 aeronaves Rafale. O Negócio so não foi fechado porque a mais de um ano o o governo francês tenta, encontrar um cliente para os Mirage 2000-9.

Segundo a última edição da revista Inteligência On Line, a Romênia mostrou interesse em adquirir os Mirage 2000-9 para estes substituam seus antigos MiG-21 modernizados com aviônica israelense da empresa Elbit.

Os Romenos querem a nova aeronave de combate que entre em operação o mais rápido possível. Entretanto a proposta francesa concorre com a americana que ofereceu lotes de caças F-16 (12 por lote) que seriam submetidos a uma modernização com equipamento de última geração ao custo de 600 milhões de dólares. A opção pelos Mirage 2000-9 pela Romênia esbarra ainda na possibilidade de entrega somente em 2014 ano em que os Rafale devem estar entrando em operação nos Emirados Árabes Unidos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

França confirma interesse russo em LHD da classe Mistral

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Segundo o site Defensenews, procede a informação que circulou, recentemente, de que a Rússia demonstrou interesse em comprar um LHD francês da classe Mistral. No início do mês, um porta-voz do Ministério da Defesa da França, confirmou que há interesse oficial da Rússia para a compra, embora este seja “extremamente geral”.

Outras informações que circularam desde o final de agosto eram de que, após a compra do primeiro navio, a Rússia estaria interessada em produzir três ou quatro unidades adicionais em estaleiros próprios, com assistência francesa.

A França possui dois LHD (Landing Helicopter Dock - navio de assalto anfíbio dotado de convoo) da classe, os BCP Mistral e o Tonnerre. A sigla BCP significa Batiment de Projection et de commandement - literalmente navio de projeção e comando. Os franceses encomendaram uma terceira unidade como parte de um pacote de incentivo, e existe a possibilidade de um quarto navio ser encomendado na próxima década. O Tonnerre já foi visitado, quando esteve no Rio de Janeiro, pela equipe do site Poder Naval Online, da qual o Blog Naval faz parte. Clique nos links abaixo para saber mais.

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FONTE: Defensenews

FOTOS (BCP Tonnerre no Rio de Janeiro):

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Felicitacion pour le bon travail, monsieur Sarkozy

Sarkozy está de parabéns, o 07 de Setembro certamente será uma data inesquecível para os Franceses e Brasileiros.

Brasil e França assinaram importantes memorandos de entendimentos e contratos de transferências de tecnologias sencíveis, importantes não só para o Brasil que precisa se reaparelhar e portanto procurava um parceiro fiável e disposto a ceder tecnologias capazes de prover a industria nacional a capacidade de projetar e construir seus próprios sistemas de armas, como para França que buscava uma nação amiga e um parceiro político ideológico desprovido de pretenções de dominações hegemônicas.

A França sai vitoriosa neste 7 de Setembro, pois encontrou um parceiro comercial, militar e ideológico, capaz de sustentar a luta pela multipolarização do poder global e ainda apoiar a indústria de defesa francesa que vinha sofrendo embargos, pressões econômicas e políticas em todas as suas recentes concorrências.

Sarkozy aproxima-se do Brasil com uma proposta de parceria estratégica de longo prazo, e não apenas com a oferta de produtos militares. Propõe e defende abertamente a inclusão do Brasil nos forum mundiais contrariando até mesmo os seus aliados mais próximos, europeus que temem a ascenção de uma nova potência americana ( Há dois séculos atraz a França apoiou a que hoje é a maior potencia mundial, a história tende a se repetir).

O projeto Brasil França prevê negócios e parcerias em todas as áreas como transporte, educação, defesa, agricultura, aeroespacial, naval, científico e econômico, é um plano de estado para muitos anos e não somente uma parceria temporária e promessa de governo atual como as demais propostas apresentadas ao Brasil, país este, chamado para resolver problemas como as gerras mundias, crises econômicas entre outras, entretanto após passada a tempestade é relegado ao papel secundário pelos seus principais aliados.

Chegou a hora do Brasil parar de pedir para ser ouvido, e o acordo com a França é uma resposta ao tratamento até então vigente.

Bienvenue monsier Sarkozy, que esta aliança seja duradoura e frutífera.

Negócios com a França

Como é sabido as Força Armadas Brasilerias estão passando por um processo de expansão e revitalização, e neste contexto, apesar da negativa constante das autoridades brasileiras, o plano estratégico Brasil/ França parece sim influenciar nas decisões de aquisições de equipamento militares e doutrinas das Forças Armadas para os próximos 30 anos.

Tudo indica que a França passe a se tornar o maior fornecedor de equipamentos militares ao Brasil, o qual tornar-se-á o segundo usuário de equipamentos de origem francesa, perdendo apenas para a própria França, como é óbvio.

Neste contexto importantes negócios foram fechados como o do tão aguardado FX, programa de reaparelhamento da força de caçadores da FAB, entretanto outras negociações estão em curso e poderão elevar facilmente as cifras envolvidas para a ordem de centenas de milhões de euros nos próximos 30 anos.

F-X

No 7 de Setembro o Ministério da Defesa anunciou a escolha do Dassault Rafale F3 como futuro caça da Força Aérea Brasileira, em negociação estariam 36 aeronaves mas que apartir de 2014 poderão chegar à 150 caças num valor estimado de US$ 15 bi.

O número de caças pode ainda ser maior uma vez que, por se tratar de uma aeronave capaz de pousar e decolar de Navios Aeródromos, o Rafale será muito provavelmente escolhido pela Marinha do Brasil para equipar os seus grupos de caças embarcados que deverão substituir os atuais A-4.

H-X

Com a transferência da linha de produção para o Brasil, a França promete produzir em Itajubá MG, todas as 50 aeronaves EC-725 Caracal encomendados pelas Força Armadas Brasileras, há potencial e demanda para encomendas posteriores.

Sabe-se por exemplo que a demanda do pré-sal exigirá o uso de aeronaves do porte do EC-725 para o transporte de funcionários que trabalharão em alto mar nas cidades flutuantes da infra estrutura de exploração de petróleo.

Além disso, a Erurocopter aposta ainda no desenvolvimento do primeiro helicóptero projetado e desenvolvido no Brasil, uma promessa muito bem recebida pelas autoridades Brasieliras.

SSN e SSK

No 7 de setembro foi assinado ainda os acordos para o desenvolvimento do Submarino Nuclear Brasilerio, projetado e construído em parceria com a DCNs e que seria segundo algumas fontes, baseado no projeto do futuro submarino nuclear de ataque Francês da Classe Suffren ou Barracuda.

Informações recentes dão conta de que o o modelo brasilerio será maior e o casco terá também um diâmetro maior que o do Francês. A França se compromete aconstruir a Base naval e a infraestrutura de apoio aos nucleares, instalações complexas e que devem atender a níveis elevados de segurança.

Fora isto, estará sendo transferido ao Brasil a capacidade de desnvolver seus próprios submarinos, todos os navios serão construídos em solo brasileiro. O contrato de construção do primeiro submarino já foi acertado e deverá estar em operação em 2021. A Marinha do Brasil pretende operar pelo menos 5 submarinos nucleares até 2035, esta arma será o divisor de águas na história naval Brasileira.

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Com a pretenção de ampliar a sua frota de submarinos, a marinha do Brasil lançou mão da aquisição dos submarinos SSK da classe Scorpène, dos quais 4 já fora encomendados, estima-se que a Marinha pretenda adiquiri um segundo lote de 5 navios elevando para 9 o total de Scorpene na Força Naval.

Tal como os nucleares, os SSK serão produzidos no Brasil, sendo que as primeiras unidades terão peças e componentes construídos na França.

Oportunidades Futuras

Além dos acordos supra citados, existe ainda uma gama enorme de oportunidades as quais as indústrias francesas podem lograr-se vencedoras, as concorrências para o reaparelhamento militar brasileiro poderão ser prevalecidas (embora as autoridades brasileiras contestem) pela afinidade Brasil França, o que pode pesar nas decisões..

Patrulheiros costeiros e off shore

A demanda do pré sal exigirá o incremento do número de meios disponíveis para patrulha, vigilância e socorro, já foram firmados contratos para a construção de 8 patrulheiros NAPA 500 e espera-se a aquisição de até 27 destes navios para a patrulha e vigilância, os navios estão sendo construídos no Brasil e integram sistemas brasileiros.

Futuramente a Marinha abrirá a concorrência para a aquisição de um patrulheiro off shore que destina-se a patrulha a longo raio, a DCNs oferece como proposta a moderna e flexível família Gowind de corvetas e OPV.

Estima-se que sejam necessários pelo menos 5 navios, mas unidades adicionais poderão ser adiquiridas no futuro.

Escoltas

As Fragatas Steatlh FREMM estão na concorrência para as futuras escoltas da Marinha do Brasil, estima-se que será aberta em breve a concorrência para aquisição e construção no Brasil de 10 navios sendo 4 dedicados a defesa Anti-aérea e 6 para emprego geral.

As moderníssimas FREMM são apontadas como favoritas juntamente com as coreanas KDX II, estima-se que a Marinha necessitará de lotes posteriores, a DCNs está na concorrência e pretende abocanhar esta importante encomenda.



Navio de Assalto

É de conhecimento geral que a Marinha do Brasil pretende adiquirir navios de assalto e de apoio logístico e neste contexto a moderna classe de BPC franceses Mistral apresenta-se como uma possibilidade de aquisição, os navios são modernos e econômicos, o custo de aquisição também é surpreendentemente baixo e são uma alternativa interessante.

Estima-se que a Marinha do Brasil pretenda adquirir pelo menos 2 destes navios reforçando assim a sua capacidade de assalto e apoio a operações no exterior.

Navio Aeródromo

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Entre muitos estudos em andamento prevê-se a substituição lá por 2020 do Navio aeródromo São Paulo, e neste caso um dos fortes candidatos a sua substituição é um outro projeto Francês o do Porta Aviões Nuclear da classe Charles De Gaule.

O modelo oferecido para o Brasil se situaria na faixa de 40000 toneladas e seria movido a propulsão convencional. Com a escolha do Rafale pela FAB, torna-se mais fácil a escolha deste vetor como caça naval o que aumenta as chances da DCNs em emplacar o De Gaule convencional para aMarinha do Brasil uma vez que os caças seriam compatíveis com o Nae.

Recentemente foi noticiado que a Marinha avalia a possibilidade no futuro de operar até 2 NAe e a DCNs está de olho nesta oportunidade.
Sistemas de Armas.
Uma vez escolhidas as plataformas e vetores, abre-se uma gama ainda maior de oportunidades para a indústria Francesa, já que serão necessárias as aquisições de armamentos para estes.

Uma vez escolhidos os submarinos DCNs a marinha do Brasil optou pelos torpedos Black Shark um dos mais modernos torpedos do mundo, estas armas deverão equipar a força de submarinos da Marinha do Brasil.

Outras armas a serem adiquiridas para os submarinos serão os Mísseis de ataque naval SM-39 Exocet que juntamento com a sua variante de lançamento aérea e de superfície equiparão a Marinha do Brasil.

A MBDA dispõe-se ainda a coperar no desenvolvimento do futuro míssil nacional de ataque naval o MAN-1 que está sendo desenvolvido com acessoria francesa, o MAN-1 terá um perfil muito semelhante aos mísseis franceses supra citados.

Ainda no campo de mísseis, existe uma necessidade tanto da Marinha quanto do Exército para aquisição de mísseis de médio e longo alcance, e neste campo os modelos Aster 30 e 15 também configuram-se como fortes candidatos.

Tanto a Marinha, ( Escoltas) como o Exército que procura equipar-se com uma divisão de defesa Anti-Aérea necessitam de baterias de mísseis de defesa desta categoria e pode estar ai uma oportunidade casada de negócios..

UCAV- VANT C

Um dos pré requisitos do programa FX é a transferência de tecnologia para capacitação da indústria nacional de projetar o seu futuro caça de 5ª Geração, entretanto este caça poderá não ser um avião tripulado podendo ser saltado do atual Rafale, 4.5 G para um 6G diretamente.

Neste contexto o Dassault Neuron aparece como candidato forte, e a participação do Brasil num programa como este está agora facilitada pela vitória do Rafale na concorrência do FX.

Satélite Geo-Estacionário

Estão abertas as negociações e os Franceses veem com interesse a necessidade do desenvolvimento do programa de satélites geoestacionários para fins militares e civis do governo Brasileiro, existe uma possibilidade grande de negócios.

A pouco falou-se inclusive da possibilidade de entrada do Brasil no programa de satélites de posicionamento global europeu GALILEU, o GPS europeu.

COBRA/ FELIN

Não é segredo que o programa do soldado do futuro ou COBRA (COmbatente BRAsileiro), será baseado no projeto francês, FELIN, este sistema visa dotar o soldado de capacidade de operação em ambientes de rede dos mais modernos, equipados com armamentos em estado de arte.

O COBRA será desenvolvido em conjunto com os Franceses e visa equipar as unidades de infantaria do exército dos mais avançados sistemas de armas, situacional e comunicações disponíveis.

Sumário

Este é apenas um resumo dos projetos e possibilidades das quais os Franceses tem interesses em cooperar com Brasil. Existem outros acordos e negociações que ainda estão em andamento.

A parceria estratégica com a França prevê intercâmbios em diversos campos e promete ser algo antes nunca experimentado por ambas as Nações.

Parabéns à Sarkosy que conseguiu implementar uma guinada político estratégica em seu país escolhendo o Brasil como aliado preferencial em todos os variados campos não somente no militar. O 7 de Setembro, o dia mais improtante para a história do Brasil, o da sua independência sela também o dia e que foram assumidos os compromissos mais importantes para a estratégia de Geo Política de ambas as nações, que de mãos dadas esperam moldar o futuro segundo suas visões.

Pode-se dizer que no “Ano da França no Brasil”, a França veio para ficar…

Brasil fabricará o Rafale e poderá vende-lo a America Latina e Africa

Brasil fecha negócio com França para a compra de 36 caças Rafale

Jornal Digital - PNN Portuguese News Network

O Brasil aproveitou a deslocação do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, para entrar na fase final das negociações com a França para a compra de 36 caças de combate Rafale.

França estava à procura do primeiro comprador dos jactos Rafale no exterior. Disputando o negócio com a americana Boeing e com a sueca Saab da venda de 36 aviões para a renovação da Força Aérea brasileira, a França conseguiu vencer.

Sarkozy embarcou de regresso à França com contractos para fornecimento de equipamentos militares ao Brasil no valor global de cerca de 12,5 mil milhões de euros - 6,7 mil milhões de submarinos, 1,8 mil milhões para helicópteros e 4 mil milhões de euros dos caças.

O Governo de Lula da Silva revelou que a decisão de negociar com a Dassault, fabricante francesa do Rafale, se deveu, em grande parte, ao compromisso assumido por Sarkozy de comprar uma dúzia de aviões de transporte militar KC-390, que serão fabricados no Brasil pela Embraer, num contrato avaliado em 500 milhões de euros, segundo fonte francesa.

O Brasil terá optado pelo Rafale «levando em conta a amplitude das transferências de tecnologia propostas e das garantias oferecidas». Os dois presidentes deixaram claro que França e Brasil serão, a partir de agora, «parceiros estratégicos no domínio aeronáutico».





BRASIL E FRANÇA - Interesses em jogo

Zero Hora

Frota renovada para proteção das riquezas

A explicação para o acordo com a França é de que o Brasil precisa renovar a frota da Marinha para ter condições de proteger as megarreservas nacionais de petróleo. Até 2020, o Brasil pretende ter a maior e mais poderosa força naval da América Latina, com submarinos, fragatas, navios leves e corvetas, além de mísseis de longo alcance, torpedos, aviões e helicópteros de tecnologia avançada.

Negócios vão além da área militar

A França vê no Brasil um parceiro comercial que vai além dos negócios envolvendo a área militar. Para os franceses, o Brasil é visto como plataforma na qual suas empresas poderão produzir e vender para toda a América Latina. Entre os focos de interesse estão a venda de reatores para as quatro novas usinas nucleares planejadas pelo Ministério de Minas e Energia até 2030.

Reforço para entrar no G-8

Dos países ricos, a França é o que mais respalda as ambições brasileiras. Ao destacar a importância econômica do Brasil, Sarkozy tem defendido que o G-8 (integrado pelos sete países mais ricos e a Rússia) aceite o ingresso de pelo menos outras cinco nações – estariam na lista Brasil, China e Índia.

– O mundo precisa que o Brasil ocupe o lugar que é seu – afirmou o presidente francês em um de seus encontros com Lula.

Apoio no Conselho de Segurança

Um dos principais projetos internacionais do governo Lula é garantir uma vaga permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Mais uma vez, Sarkozy entra como um dos aliados do Brasil.

– É inconcebível imaginar que se possa falar nas principais questões mundiais sem consultar um único país africano, um só país da América do Sul – afirmou anteriormente o francês.



Rafale F-3 Dassault (França)
Raio de combate 1.800 km
Velocidade máxima 2.100 km/h
Motores 2 (sNeCMa M882)
Peso máximo de armamentos 8 toneladas
Ponto forte: Foi muito usado no Afeganistão, além disso o Brasil já tem aliança na área com a França: está comprando helicópteros e submarinos e o avião possui versão naval capaz de ser usada pela marinha no porta aviões São Paulo. Ponto fraco: É apontado por especialistas como o mais caro e só a França usa o equipamento.

Brasil pode vender aviões de combate franceses na América Latina, diz Amorim

Fonte: Uol

A França ofereceu ao Brasil a possibilidade de vender na América Latina os aviões de combate Rafale, caso estes sejam escolhidos em uma licitação na qual também concorrem empresas de Suécia e Estados Unidos, disse hoje o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O Governo federal anunciou hoje, por ocasião da visita oficial ao Brasil do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que negociará a aquisição de 36 aviões GIE Rafale, produzidos pela empresa francesa Dassault.

A sueca Saab disputa a licitação com o modelo Gripen, enquanto a americana Boeing concorre com o F-18 Super Hornet.

Amorim disse à imprensa que "o principal atrativo da oferta francesa é a transferência real de tecnologia", o que não apenas representa "o acesso ao conhecimento, mas também o acesso livre a todo tipo de operação".

O chanceler explicou que os caças franceses seriam construídos de forma conjunta no Brasil, que por sua vez poderia comercializá-los no resto da América Latina.

O resultado oficial da licitação será anunciado em outubro, mas tudo indica que o Governo brasileiro deve optar pelos GIE Rafale.

Em comunicado conjunto, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, destacaram que almejam transformar ambos os países em "parceiros estratégicos no domínio aeronáutico", setor no qual possuem "vantagens importantes".

Os dois chefes de Estado também firmaram hoje um acordo para a construção conjunta de cinco submarinos, um deles de propulsão nuclear, e de 50 helicópteros.

Nos dois casos, são modelos franceses que serão construídos no Brasil, que vai comprar os primeiros equipamentos, mas que depois terá liberdade para comercializá-los no mercado da América Latina.

Esse é, definitivamente, o Ano da França no Brasil

Alexandre Garcia: Brasil avalia que tradicional parceria com os EUA tem cerceado o comércio e o desenvolvimento tecnológico.

Bom Dia Brasil - G1




Se alguém ainda tinha dúvidas, agora não tem mais. Este é mesmo o ano da França no Brasil.

O governo brasileiro avalia que a tradicional parceria com os Estados Unidos tem cerceado o comércio e o desenvolvimento tecnológico do Brasil. Também avalia que uma parceria sul-sul a nada levaria e que parcerias com os demais emergentes não seriam confiáveis, porque cada um trataria de seus próprios interesses. Optou pela França, que também adota uma posição diferente em relação às demais potências do Hemisfério Norte, desde De Gaulle.

A compra de armas é apenas uma cabeça de ponte para uma parceria bem maior. Ontem, os presidentes Lula e Sarkozy pronunciaram a mesma frase: pensar juntos, criar juntos, construir juntos, vender juntos.

No caso bélico, a França reserva o mercado africano e sul-americano para os helicópteros e aviões aqui fabricados. Ainda ontem o laboratório francês Sanofi-Pasteur anunciou a entrega de 18 milhões de doses de vacina contra a gripe; a GDF-Suez anunciou um acordo com a Eletrobrás e a Eletronuclear para exploração de usinas nucleares, transferência de tecnologia e desenvolvimento de recursos humanos. Também foi anunciado o financiamento de um veículo sobre trilhos para transporte urbano na capital do Brasil.

O presidente Lula falou em outra independência com o pré-sal, mas a contar as intenções de aproximação com a França, a outra independência parece ser de alguns laços com os Estados Unidos. As cores azul, branca e vermelha que a fumaça dos aviões da “patruille de france” jogou sobre a Esplanada em Brasília são bem simbólicas.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O acordo do submarino francês Scorpène transferirá tecnologia inédita para o programa nuclear brasileiro


Rumo à Independência

O acordo para a compra do submarino francês Scorpène com transferência de tecnologia, vai significar um salto inédito no programa nuclear brasileiro
Justificar
Por Sergio Lirio - Carta Capital - Via NOTIMP FAB

Um óbvio simbolismo reveste o encontro entre o presidente Lula e seu colega francês Nicolas Sarkozy no próximo 7 de setembro. Para as Forças Armadas, e a Marinha em particular, a assinatura do acordo que vai permitir a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro representa uma nova e definitiva independência, do ponto de vista estratégico. A oportunidade perseguida há mais de três décadas para controlar uma tecnologia dominada atualmente por apenas outras cinco nações do planeta. Para o resto da sociedade, será o início de uma caminhada que cedo ou tarde nos levará a um dilema: o Brasil pode aspirar a uma maior liderança no mundo sem montar um arsenal militar moderno e temível, o que inclui, ao menos, dominar o processo de fabricação de uma bomba atômica?

Não se trata de mania de grandeza nem de um debate trivial. O País tem uma tradição pacifista expressa de maneira rara. A Constituição brasileira é uma das únicas a registrar o compromisso do uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos. Não só somos signatários do tratado de não proliferação de armamentos atômicos, o TNP, como figuramos entre os poucos Estados nacionais a incluir unidades militares entre as passíveis de fiscalização pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), num claro sinal de boa vontade cooperativa. Além disso, vistos o PIB, a renda e nossa reduzida, embora crescente, importância no cenário internacional, tratar do assunto pode soar como delírio ou patriotada de quem veste uniforme militar.

Mas eis o que diz um civil, o professor Eurico de Lima Figueiredo, coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense e presidente da Associação Brasileira de Estratégia de Defesa: “Pessoalmente, acho que em cinco ou dez anos a sociedade terá de dizer se quer ou não uma bomba atômica, independentemente de sermos signatários do TNP. É um passo natural de nossa independência nuclear. E isso terá de ser debatido por civis, dentro de regras democráticas”.

Segundo ele, caso as previsões otimistas em relação à economia brasileira se concretizem, teremos o quinto maior PIB do mundo em duas decadas, seguindo passos dos demais BRIC, e muitos interesses a defender. "Se a China, a Índia e a Rússia querem, porque não desejar um poderio militar?", pergunta o acadêmico.Figueiredo, como muitos especiastas civis e como sugere a Estratégia Naciona de Defesa em discussão no Congresso Nacional, defende que o governo não ratifique nenhum novo adendo ao TNP. Uma nova versão do tratado em discussão pretende ampliar as restrições ao uso de técnicas nucleares, inclusive em apliações civis.

O deputado federal José Genoino (PT-SP), conhecedor de assuntos militares, também defende a recusa do Brasil em assinar novos adendos ao tratado, embora não veja nenhuma necessidade de o País almejar a construção de um arcenal nuclear. "Como está n Cnstução, nosso interesse é dominar a tecnologia para fins pacíficos. Dominar esse ciclo de produção pode trazer ganhos expressivo à indústria", afirma Genoino. "A política de defesa adequada ao País é a dissuasória, não de confronto. Mas que quer se projetar precisa ter uma força condizente com posição que almeja. "O TNP foi criado e 1968 e previa, em sua origem, o completo desarmamento de países-signatários. Isso nunca aconteceu, apesar de o tratado ter passado por diversas ratificações ( a França e a China, por exemplo, recusaram a assinar a versão de 1992). O Brasil assinou TNP em 1995. Nove anos depois, em 2004, a tentativa de um observador da AIEA de olhar uma centrífuga de beneficiamento de urânio provocou mal-estar diplomático. O observaor, que violou a regras, fo obrigado a dixr o País.

Ainda que aparentemente prematura, a possibilidade de o Brasil obter avanços no setor nuclear e a forma como poderá e desejará usar os conhecimentos no futuro estão no centro do debate sobre o acordo com a França. A União vai pagar 6,8 bilhões de euros (perto de 21 bilhões de reais) por quatro submarinos convencionais do modelo Scorpéne e o casco de um nuclear, adaptado às exigências da Marimha. Entre outros quesitos, a versão brasileira será cinco vezes maior que a original, o que permite mais tempo debaixo da água. O valor inclui também a construção de um estaleiro e de uma base apropriados. E o mais importante, segundo a Marinha, prevê a transferência de tecnologia de fabricação de um submarino de propulsão nuclear, dominada por um clube restrito de países. Entenda-se: o Brasil está comprando um equipamento movido a energia nuclear e não equipado com armas atômicas.

O valor da transação e certas circunstâncias da negociação têm provocado críticas ao acordo. Nem sempre bem fundamentadas. E o caso, por exemplo, de comparar as ofertas da França e da Alemanha. A nossa atual frota de submarinos (menor do que a do Peru: 5 contra 6) é formada por equipamentos construídos pela HDW. A empresa alemã ofereceu ao governo brasileiro novas unidades por um décimo do valor pedido pela DNCS, a estatal francesa. O Brasil estaria então pagando caro pelos Seorpéne?

Não necessariamente. De acordo com a Marinha, é impossível comparar as duas ofertas. Primeiro, por um motivo trivial: o preço de 680 mi1hões de euros da HDW diz respeito a apenas duas unidades e não quatro convencionais – sem contar o protótipo do nuclear. Segundo, por um fator decisivo: em decorrência dos tratados assinados após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha não possui armazenamentos atômicos. Portanto, mesmo se desejasse, a HDW não teria como transferir ao Brasil a tecnologia ou mesmo fornecer um submarino nuclear.

Só quatro países, além da França, poderiam fazê-lo. Os Estados Unidos, donos de uma frota de 95 submarinos nucleares, fabrica os modelos mais avançados. Mas o congresso americano veta a transferência de qualquer tecnologia na venda de equipamentos militares. Outra opção seria o Reino Unido, descartado por motivos semelhantes aos dos EUA. Restam a Rússia e a China, mas nenhum dos dois emergente se dispõe a compartilhar seus conhecimentos com o Brasil.

Há também uma duvida sobre o grau de transferência de tecnologia ofertado pelos franceses. Como o motor a propulsão será desenvo1vido por militares brasileiros, questiona-se o que então a Marinha está comprando de novo. “Há uma complexidade tecnológica que envolve a construção do casco e de partes internas do submarino. Não dominamos a técnica", explica Figueiredo. “Se o nosso programa nuclear não tivesse ficado estagnado nos últimos vinte anos, provavelmente as chances de desenvolver um projeto nacional, neste momento, seriam maiores. Mas isso não aconteceu e o acordo com a Franca é uma boa maneira de pular etapas do processo."

Jairo Cândido, diretor do Departamento de Defesa da Federação das Industrias de São Paulo, concorda: “Daremos um salto tecnológico de anos, senão de anos-luz. E com participação efetiva da industria nacional".

Para montar submarinos nucleares e operá-los no futuro, um novo estaleiro e uma nova base naval serão erguidos ao custo de 1,8 bilhão de euros, já contabilizados no preço; o total de 6,8 bilhões de euros. O local escolhido é uma área próxima ao Porto de Sepetiba, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A construção e a administração do complexo ate o fim da montagem do primeiro submarino nuclear serão feitas por uma Sociedade de Propósito Especifico formada pela francesa DNCS (49%), a brasileira Odebrecht (50%) e a Marinha (1%, além da golden share que lhe da poder de veto). Após essa fase, os termos da sociedade serão rediscutidos. As instalações vão permitir o apoio a dez submarinos e a construção de duas unidades de forma simultânea.

O arsenal da Marinha, no Rio de Janeiro, localizado praticamente embaixo da ponte Rio-Niterói serve para fabricar os atuais submarinos convencionais, mas não refine as condições de abrigar uma estrutura nuclear. Ha restrições ambientais, de profundidade e de segurança, pela proximidade com uma região densamente povoada. Tampouco existem outros estaleiros preparados no Pais. A área total do porto em Itaguaí terá perto de 980 mil metros quadrados. Será preciso construir um aterro hidráulico de 410 mil metros quadrados. Por razões de segurança, a Marinha não da detalhes do projeto arquitetônico do estaleiro e da base. Sabe-se, porém, que os galpões onde serão fabricadas as partes do equipamento no Brasil devem seguir os contornos do submarino, para maior segurança.

Desde os anos 90, a Marinha estuda áreas para erguer o estaleiro. Itaguaí acabou escolhida por questões logísticas. Fica próxima da Nuclebrás e das usinas de Angra, que já possuem um plano para emergências nucleares, e do eixo Rio-São Paulo. Além disso, esta localizada em uma área já degradada e com poucos moradores, o que facilita o processo de ocupação e obterção de licenças ambientais.

Segundo os militares, houve uma decisão do governo brasileiro de transferir aos franceses a escolha dos fornecedores nacionais que vão participar do projeto. Além da Odebrecht, cerca de 30 empresas vão produzir 36 mil itens do submarino, entre eles as baterias, que pesam 300 toneladas. O índice de nacionalização, parte do acordo de transferência de tecnologia, ficará em torno de 20%. “Acertou-se que tudo com prego igual ou menor do de fornecedores franceses seria produzido no Brasil. Mas, apesar de solicitada, a Marinha recusou-se, sequer, a indicar empresas possíveis, haja vista que qualquer indicação seria inevitavelmente forte de controvérsias futuras", afirma em nota o centro de comunicação social. Em termos civis: os militares quiseram evitar que o projeto se transformasse em uma guerra judicial sem-fim entre fornecedores brasileiros capaz de comprometer as obras.

Uma dúvida legitima é levantada no Congresso pelo deputado federal Júlio Delgado (PSB—MG), crítico do acordo com a França: um único submarino nuclear fará diferença na defesa do litoral? "Vários especialistas afirmam que estaríamos mais protegidos se, com esse dinheiro, comprássemos dez submarinos convencionais e os espalhássemos pela costa",diz o deputado. “Além disso, a Marinha não tem certeza de quando o nuclear estará ativo. Já vi documentos com varias datas diferentes: 2014, 2016, e agora 2021 (ou 2022). Como podemos aplicar tanto dinheiro sem saber quando o submarino vai entrar em operação?" Há meses Delgado tenta, sem sucesso, levar o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a uma audiência na Câmara para discutir a transação.

A Marinha responde que não há comparação entre os convencionais e os nucleares. Os primeiros, movidos por motores elétricos e a diesel, precisam subir a superfície a cada cinco ou sete dias para recarregar, apesar de modelos mais modernos possuírem autonomia maior. Isso faz deles alvos mais fáceis e limitam tanto a profundidade quanto o percurso. Já os nucleares podem, em tese, ficar cerca de seis meses no fundo do mar. Em tese, pois sua autonomia esta relacionada a capacidade da tripulação de permanecer confinada. Sua capacidade de despiste e deslocamento é incomparável. "Por suas características, o submarino nuclear é muito mais adequado as necessidades do Brasil", rebate Genoino.

Segundo o professor Figueiredo, o Pais precisaria de, no mínimo, cinco submarinos nucleares em sua frota para defender a costa. A zona econômica exclusiva marítima, chamada pelos militares de Amazônia Azul, cobre 4,4 milhões de quilômetros quadrados. Mais de 90% do petróleo extraído no Brasil sai do mar (isso hoje, sem a exploração do pré-sal), assim como 95% do comércio exterior é realizado por navios. Uma razão técnica também pesa. Após esgotar seu ciclo de utilização, um submarino nuclear precisa de um a dois anos de recuperação no estaleiro para poder voltar a ser usado com eficiência.Dos 95 dos EUA, 35 estão em operação e 30 estão retornando aos mares para substituir parte da frota em atividade. “Mas, concluído o primeiro, será mais rápido fabricar outros", afirma o acadêmico.

Quanto a indefinição da data suscitada pelo Delgado, parece haver uma explicação simples. A Marinha tem sido evasiva em relação início da operação do submarino por questões estratégicas. Não há nenhum sentido em anunciar antecipadamente ao mundo quando o equipamento estará em pleno funcionamento.

Como se disse, pela importância relativa atual do Brasil, chega a ser cômico alimentar certas teorias conspiratórias, a exemplo do frenesi que contagiou parte da esquerda latino-americana quando os Estados Unidos anunciaram no ano passado a reativação da IV Frota, responsável por patrulhar o Atlântico Sul e desativada desde 1950. "Nada em defesa é por acaso", afirma Genoino. E ele parece ter razão. Negligente com a América do Sul nos anos Bush, os Estados Unidos tem enviado recados a sua zona de influência abaixo do Equador. Enquanto a IV Frota passeia pelos mares, o governo Obama fecha com a Colômbia de Álvaro Uribe a instalação de bases americanas, em substituição à área antes ocupada no Equador.

O fato de Lula e Sarkozy assinarem o acordo dos submarinos fere muito mais do que os interesses comerciais da Alemanha, que perderá un1 cliente estratégico no Hemisfério Sul. Os norte-americanos nos prefeririam que a Marinha brasileira não tivesse acesso a tecnologia francesa. E, quando pode, direta ou indiretan1ente, Washington tenta fazer prevalecer suas opiniões. Basta lembrar que, em 2005, os EUA, fornecedores de componentes, vetaram a venda dos aviões SuperTucanos da Embraer a Venezuela e ao Irã. Hugo Chávez acabou por fechar um contrato com a Rússia, reinaugurando um clima de Guerra Fria na América do Sul.

Sarkozy, por sua vez, diante da chance de recuperar algum prestigio internacional após a crise financeira, busca um parceiro estratégico entre os emergentes. Para seduzir Lula, o presidente francês tem prometido defender a inclusão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e na consolidação de nosso papel em um G-7 ampliado. E um arranjo, até o momento, conveniente a ambas as partes.

Realmente, do ponto de vista de Washington, há gente demais querendo invadir seu quintal. Antes de Sarkozy, o russo Vladimir Putin e o chinês Hu Jintao trataram de ampliar sua área de influência na região a partir do eixo bolivariano Caracas-La Paz-Quito. E não se trata apenas de uma questão territorial. Tem a ver com dinheiro.

A compra dos submarinos Scorpène terá efeitos inegáveis sobre outro negócio vultoso em curso, a compra de 36 caças pela Aeronáutica brasileira. Avaliada em 2,2 bilhões de dólares, a transação envolve três concorrentes. Os americanos oferecem o F18, sem transferência de tecnologia. Os suecos têm o Gripen e até se dispuseram a discutir acordos tecnológicos, mas um veto americano, via Israel, fornecedora de partes do avião, dificulta o desenrolar das negociações. A França disputa com o Rafale, da Dassault, sócia da Embraer. Ate 2006, o negócio tendia para o lado dos franceses, mas o projeto acabou indo parar na geladeira e só agora, após a apresentação da Estratégia Nacional de Defesa, voltou a ser discutido.

Genoino defende que também nesse caso o Brasil guie suas compras pela obtenção de pacotes tecnológicos. E lembra o caso do Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam, comprado dos Estados Unidos no governo Fernando Henrique Cardoso (quem se lembra dos grampos que derrubaram Xico Graziano, apelidado "O Corvo", antes de o mandato de FHC completar seis meses?). Por conta das restrições impostas pelos americanos, diz o parlamentar, o País esta proibido de repassar ate mesmo dados e informações a vizinhos compartilham áreas da floresta.

Modernizar as Forcas Armadas é importante, mas o domínio da tecnologia nuclear deve ser analisado para além da ótica militar. Não se pode minimizar seus riscos à saúde e a segurança civil, como bem lembrou o Greenpeace em recentes manifestações contra o acordo com a Franca, mas também não se deve ignorar os avanços que podem proporcionar ao desenvolvimento do Pais.

Caso deseje realmente ser mais relevante no debate planetário, o Brasil precisa entender as conexões entre investimentos em defesa e desenvolvimento econômico. A energia nuclear é um dos tripés da criação de um complexo industrial-militar, completado pelas comunicações e as pesquisas aeroespaciais. "A própria França é um exemplo. A DNCS é estatal, mas opera como empresa privada. E desenvolve produtos civis e militares ao mesmo tempo. No Brasil, a Embraer segue esse modelo", afirma Guilherme Camargo, presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben). "A Estratégia Nacional de Defesa, em tramitação no Congresso, é histórica, entre outros pontos, por reconhecer essa conexão."

Em 2004, 17% dos investimentos em pesquisa nos Estados Unidos foram feitos em projetos militares. A média mundial foi de 10%. Segundo o professor Figueiredo, 50% dos ganhadores norte-americanos de prêmios Nobel foram financiados por programas das Forcas Armadas, enquanto em outros países o porcentual é de 30%. Muito do conforto ou de tratamentos médicos não existiria sem as pesquisas na área de defesa. A internet, o GPS, o raioX e a espuma que reveste colchões são alguns poucos exemplos.

Na área nuclear, o potencial brasileiro é imenso. As reservas de urânio do Pais são estimadas em 800 mil toneladas. Só o Cazaquistão e a Austrália teriam mais. Mesmo as comprovadas 309 mil toneladas nos colocam em posição privilegiada. Com os planos de aumento de produção, o excedente em 2012 chegará a 1,2 mil toneladas por ano, segundo a Aben. O suficiente não só para abastecer a demanda de submarinos nucleares, mas para erguer novas usinas de energia, reduzir a importação de isótopos usados na medicina e melhorar técnicas agrícolas. E refletir sobre aquele dilema levantado no início deste texto: queremos ou não construir armamentos atômicos?

O acordo do submarino francês Scorpène transferirá tecnologia inédita para o programa nuclear brasileiro


Rumo à Independência

O acordo para a compra do submarino francês Scorpène com transferência de tecnologia, vai significar um salto inédito no programa nuclear brasileiro
Justificar
Por Sergio Lirio - Carta Capital - Via NOTIMP FAB

Um óbvio simbolismo reveste o encontro entre o presidente Lula e seu colega francês Nicolas Sarkozy no próximo 7 de setembro. Para as Forças Armadas, e a Marinha em particular, a assinatura do acordo que vai permitir a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro representa uma nova e definitiva independência, do ponto de vista estratégico. A oportunidade perseguida há mais de três décadas para controlar uma tecnologia dominada atualmente por apenas outras cinco nações do planeta. Para o resto da sociedade, será o início de uma caminhada que cedo ou tarde nos levará a um dilema: o Brasil pode aspirar a uma maior liderança no mundo sem montar um arsenal militar moderno e temível, o que inclui, ao menos, dominar o processo de fabricação de uma bomba atômica?

Não se trata de mania de grandeza nem de um debate trivial. O País tem uma tradição pacifista expressa de maneira rara. A Constituição brasileira é uma das únicas a registrar o compromisso do uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos. Não só somos signatários do tratado de não proliferação de armamentos atômicos, o TNP, como figuramos entre os poucos Estados nacionais a incluir unidades militares entre as passíveis de fiscalização pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), num claro sinal de boa vontade cooperativa. Além disso, vistos o PIB, a renda e nossa reduzida, embora crescente, importância no cenário internacional, tratar do assunto pode soar como delírio ou patriotada de quem veste uniforme militar.

Mas eis o que diz um civil, o professor Eurico de Lima Figueiredo, coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense e presidente da Associação Brasileira de Estratégia de Defesa: “Pessoalmente, acho que em cinco ou dez anos a sociedade terá de dizer se quer ou não uma bomba atômica, independentemente de sermos signatários do TNP. É um passo natural de nossa independência nuclear. E isso terá de ser debatido por civis, dentro de regras democráticas”.

Segundo ele, caso as previsões otimistas em relação à economia brasileira se concretizem, teremos o quinto maior PIB do mundo em duas decadas, seguindo passos dos demais BRIC, e muitos interesses a defender. "Se a China, a Índia e a Rússia querem, porque não desejar um poderio militar?", pergunta o acadêmico.Figueiredo, como muitos especiastas civis e como sugere a Estratégia Naciona de Defesa em discussão no Congresso Nacional, defende que o governo não ratifique nenhum novo adendo ao TNP. Uma nova versão do tratado em discussão pretende ampliar as restrições ao uso de técnicas nucleares, inclusive em apliações civis.

O deputado federal José Genoino (PT-SP), conhecedor de assuntos militares, também defende a recusa do Brasil em assinar novos adendos ao tratado, embora não veja nenhuma necessidade de o País almejar a construção de um arcenal nuclear. "Como está n Cnstução, nosso interesse é dominar a tecnologia para fins pacíficos. Dominar esse ciclo de produção pode trazer ganhos expressivo à indústria", afirma Genoino. "A política de defesa adequada ao País é a dissuasória, não de confronto. Mas que quer se projetar precisa ter uma força condizente com posição que almeja. "O TNP foi criado e 1968 e previa, em sua origem, o completo desarmamento de países-signatários. Isso nunca aconteceu, apesar de o tratado ter passado por diversas ratificações ( a França e a China, por exemplo, recusaram a assinar a versão de 1992). O Brasil assinou TNP em 1995. Nove anos depois, em 2004, a tentativa de um observador da AIEA de olhar uma centrífuga de beneficiamento de urânio provocou mal-estar diplomático. O observaor, que violou a regras, fo obrigado a dixr o País.

Ainda que aparentemente prematura, a possibilidade de o Brasil obter avanços no setor nuclear e a forma como poderá e desejará usar os conhecimentos no futuro estão no centro do debate sobre o acordo com a França. A União vai pagar 6,8 bilhões de euros (perto de 21 bilhões de reais) por quatro submarinos convencionais do modelo Scorpéne e o casco de um nuclear, adaptado às exigências da Marimha. Entre outros quesitos, a versão brasileira será cinco vezes maior que a original, o que permite mais tempo debaixo da água. O valor inclui também a construção de um estaleiro e de uma base apropriados. E o mais importante, segundo a Marinha, prevê a transferência de tecnologia de fabricação de um submarino de propulsão nuclear, dominada por um clube restrito de países. Entenda-se: o Brasil está comprando um equipamento movido a energia nuclear e não equipado com armas atômicas.

O valor da transação e certas circunstâncias da negociação têm provocado críticas ao acordo. Nem sempre bem fundamentadas. E o caso, por exemplo, de comparar as ofertas da França e da Alemanha. A nossa atual frota de submarinos (menor do que a do Peru: 5 contra 6) é formada por equipamentos construídos pela HDW. A empresa alemã ofereceu ao governo brasileiro novas unidades por um décimo do valor pedido pela DNCS, a estatal francesa. O Brasil estaria então pagando caro pelos Seorpéne?

Não necessariamente. De acordo com a Marinha, é impossível comparar as duas ofertas. Primeiro, por um motivo trivial: o preço de 680 mi1hões de euros da HDW diz respeito a apenas duas unidades e não quatro convencionais – sem contar o protótipo do nuclear. Segundo, por um fator decisivo: em decorrência dos tratados assinados após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha não possui armazenamentos atômicos. Portanto, mesmo se desejasse, a HDW não teria como transferir ao Brasil a tecnologia ou mesmo fornecer um submarino nuclear.

Só quatro países, além da França, poderiam fazê-lo. Os Estados Unidos, donos de uma frota de 95 submarinos nucleares, fabrica os modelos mais avançados. Mas o congresso americano veta a transferência de qualquer tecnologia na venda de equipamentos militares. Outra opção seria o Reino Unido, descartado por motivos semelhantes aos dos EUA. Restam a Rússia e a China, mas nenhum dos dois emergente se dispõe a compartilhar seus conhecimentos com o Brasil.

Há também uma duvida sobre o grau de transferência de tecnologia ofertado pelos franceses. Como o motor a propulsão será desenvo1vido por militares brasileiros, questiona-se o que então a Marinha está comprando de novo. “Há uma complexidade tecnológica que envolve a construção do casco e de partes internas do submarino. Não dominamos a técnica", explica Figueiredo. “Se o nosso programa nuclear não tivesse ficado estagnado nos últimos vinte anos, provavelmente as chances de desenvolver um projeto nacional, neste momento, seriam maiores. Mas isso não aconteceu e o acordo com a Franca é uma boa maneira de pular etapas do processo."

Jairo Cândido, diretor do Departamento de Defesa da Federação das Industrias de São Paulo, concorda: “Daremos um salto tecnológico de anos, senão de anos-luz. E com participação efetiva da industria nacional".

Para montar submarinos nucleares e operá-los no futuro, um novo estaleiro e uma nova base naval serão erguidos ao custo de 1,8 bilhão de euros, já contabilizados no preço; o total de 6,8 bilhões de euros. O local escolhido é uma área próxima ao Porto de Sepetiba, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A construção e a administração do complexo ate o fim da montagem do primeiro submarino nuclear serão feitas por uma Sociedade de Propósito Especifico formada pela francesa DNCS (49%), a brasileira Odebrecht (50%) e a Marinha (1%, além da golden share que lhe da poder de veto). Após essa fase, os termos da sociedade serão rediscutidos. As instalações vão permitir o apoio a dez submarinos e a construção de duas unidades de forma simultânea.

O arsenal da Marinha, no Rio de Janeiro, localizado praticamente embaixo da ponte Rio-Niterói serve para fabricar os atuais submarinos convencionais, mas não refine as condições de abrigar uma estrutura nuclear. Ha restrições ambientais, de profundidade e de segurança, pela proximidade com uma região densamente povoada. Tampouco existem outros estaleiros preparados no Pais. A área total do porto em Itaguaí terá perto de 980 mil metros quadrados. Será preciso construir um aterro hidráulico de 410 mil metros quadrados. Por razões de segurança, a Marinha não da detalhes do projeto arquitetônico do estaleiro e da base. Sabe-se, porém, que os galpões onde serão fabricadas as partes do equipamento no Brasil devem seguir os contornos do submarino, para maior segurança.

Desde os anos 90, a Marinha estuda áreas para erguer o estaleiro. Itaguaí acabou escolhida por questões logísticas. Fica próxima da Nuclebrás e das usinas de Angra, que já possuem um plano para emergências nucleares, e do eixo Rio-São Paulo. Além disso, esta localizada em uma área já degradada e com poucos moradores, o que facilita o processo de ocupação e obterção de licenças ambientais.

Segundo os militares, houve uma decisão do governo brasileiro de transferir aos franceses a escolha dos fornecedores nacionais que vão participar do projeto. Além da Odebrecht, cerca de 30 empresas vão produzir 36 mil itens do submarino, entre eles as baterias, que pesam 300 toneladas. O índice de nacionalização, parte do acordo de transferência de tecnologia, ficará em torno de 20%. “Acertou-se que tudo com prego igual ou menor do de fornecedores franceses seria produzido no Brasil. Mas, apesar de solicitada, a Marinha recusou-se, sequer, a indicar empresas possíveis, haja vista que qualquer indicação seria inevitavelmente forte de controvérsias futuras", afirma em nota o centro de comunicação social. Em termos civis: os militares quiseram evitar que o projeto se transformasse em uma guerra judicial sem-fim entre fornecedores brasileiros capaz de comprometer as obras.

Uma dúvida legitima é levantada no Congresso pelo deputado federal Júlio Delgado (PSB—MG), crítico do acordo com a França: um único submarino nuclear fará diferença na defesa do litoral? "Vários especialistas afirmam que estaríamos mais protegidos se, com esse dinheiro, comprássemos dez submarinos convencionais e os espalhássemos pela costa",diz o deputado. “Além disso, a Marinha não tem certeza de quando o nuclear estará ativo. Já vi documentos com varias datas diferentes: 2014, 2016, e agora 2021 (ou 2022). Como podemos aplicar tanto dinheiro sem saber quando o submarino vai entrar em operação?" Há meses Delgado tenta, sem sucesso, levar o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a uma audiência na Câmara para discutir a transação.

A Marinha responde que não há comparação entre os convencionais e os nucleares. Os primeiros, movidos por motores elétricos e a diesel, precisam subir a superfície a cada cinco ou sete dias para recarregar, apesar de modelos mais modernos possuírem autonomia maior. Isso faz deles alvos mais fáceis e limitam tanto a profundidade quanto o percurso. Já os nucleares podem, em tese, ficar cerca de seis meses no fundo do mar. Em tese, pois sua autonomia esta relacionada a capacidade da tripulação de permanecer confinada. Sua capacidade de despiste e deslocamento é incomparável. "Por suas características, o submarino nuclear é muito mais adequado as necessidades do Brasil", rebate Genoino.

Segundo o professor Figueiredo, o Pais precisaria de, no mínimo, cinco submarinos nucleares em sua frota para defender a costa. A zona econômica exclusiva marítima, chamada pelos militares de Amazônia Azul, cobre 4,4 milhões de quilômetros quadrados. Mais de 90% do petróleo extraído no Brasil sai do mar (isso hoje, sem a exploração do pré-sal), assim como 95% do comércio exterior é realizado por navios. Uma razão técnica também pesa. Após esgotar seu ciclo de utilização, um submarino nuclear precisa de um a dois anos de recuperação no estaleiro para poder voltar a ser usado com eficiência.Dos 95 dos EUA, 35 estão em operação e 30 estão retornando aos mares para substituir parte da frota em atividade. “Mas, concluído o primeiro, será mais rápido fabricar outros", afirma o acadêmico.

Quanto a indefinição da data suscitada pelo Delgado, parece haver uma explicação simples. A Marinha tem sido evasiva em relação início da operação do submarino por questões estratégicas. Não há nenhum sentido em anunciar antecipadamente ao mundo quando o equipamento estará em pleno funcionamento.

Como se disse, pela importância relativa atual do Brasil, chega a ser cômico alimentar certas teorias conspiratórias, a exemplo do frenesi que contagiou parte da esquerda latino-americana quando os Estados Unidos anunciaram no ano passado a reativação da IV Frota, responsável por patrulhar o Atlântico Sul e desativada desde 1950. "Nada em defesa é por acaso", afirma Genoino. E ele parece ter razão. Negligente com a América do Sul nos anos Bush, os Estados Unidos tem enviado recados a sua zona de influência abaixo do Equador. Enquanto a IV Frota passeia pelos mares, o governo Obama fecha com a Colômbia de Álvaro Uribe a instalação de bases americanas, em substituição à área antes ocupada no Equador.

O fato de Lula e Sarkozy assinarem o acordo dos submarinos fere muito mais do que os interesses comerciais da Alemanha, que perderá un1 cliente estratégico no Hemisfério Sul. Os norte-americanos nos prefeririam que a Marinha brasileira não tivesse acesso a tecnologia francesa. E, quando pode, direta ou indiretan1ente, Washington tenta fazer prevalecer suas opiniões. Basta lembrar que, em 2005, os EUA, fornecedores de componentes, vetaram a venda dos aviões SuperTucanos da Embraer a Venezuela e ao Irã. Hugo Chávez acabou por fechar um contrato com a Rússia, reinaugurando um clima de Guerra Fria na América do Sul.

Sarkozy, por sua vez, diante da chance de recuperar algum prestigio internacional após a crise financeira, busca um parceiro estratégico entre os emergentes. Para seduzir Lula, o presidente francês tem prometido defender a inclusão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e na consolidação de nosso papel em um G-7 ampliado. E um arranjo, até o momento, conveniente a ambas as partes.

Realmente, do ponto de vista de Washington, há gente demais querendo invadir seu quintal. Antes de Sarkozy, o russo Vladimir Putin e o chinês Hu Jintao trataram de ampliar sua área de influência na região a partir do eixo bolivariano Caracas-La Paz-Quito. E não se trata apenas de uma questão territorial. Tem a ver com dinheiro.

A compra dos submarinos Scorpène terá efeitos inegáveis sobre outro negócio vultoso em curso, a compra de 36 caças pela Aeronáutica brasileira. Avaliada em 2,2 bilhões de dólares, a transação envolve três concorrentes. Os americanos oferecem o F18, sem transferência de tecnologia. Os suecos têm o Gripen e até se dispuseram a discutir acordos tecnológicos, mas um veto americano, via Israel, fornecedora de partes do avião, dificulta o desenrolar das negociações. A França disputa com o Rafale, da Dassault, sócia da Embraer. Ate 2006, o negócio tendia para o lado dos franceses, mas o projeto acabou indo parar na geladeira e só agora, após a apresentação da Estratégia Nacional de Defesa, voltou a ser discutido.

Genoino defende que também nesse caso o Brasil guie suas compras pela obtenção de pacotes tecnológicos. E lembra o caso do Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam, comprado dos Estados Unidos no governo Fernando Henrique Cardoso (quem se lembra dos grampos que derrubaram Xico Graziano, apelidado "O Corvo", antes de o mandato de FHC completar seis meses?). Por conta das restrições impostas pelos americanos, diz o parlamentar, o País esta proibido de repassar ate mesmo dados e informações a vizinhos compartilham áreas da floresta.

Modernizar as Forcas Armadas é importante, mas o domínio da tecnologia nuclear deve ser analisado para além da ótica militar. Não se pode minimizar seus riscos à saúde e a segurança civil, como bem lembrou o Greenpeace em recentes manifestações contra o acordo com a Franca, mas também não se deve ignorar os avanços que podem proporcionar ao desenvolvimento do Pais.

Caso deseje realmente ser mais relevante no debate planetário, o Brasil precisa entender as conexões entre investimentos em defesa e desenvolvimento econômico. A energia nuclear é um dos tripés da criação de um complexo industrial-militar, completado pelas comunicações e as pesquisas aeroespaciais. "A própria França é um exemplo. A DNCS é estatal, mas opera como empresa privada. E desenvolve produtos civis e militares ao mesmo tempo. No Brasil, a Embraer segue esse modelo", afirma Guilherme Camargo, presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben). "A Estratégia Nacional de Defesa, em tramitação no Congresso, é histórica, entre outros pontos, por reconhecer essa conexão."

Em 2004, 17% dos investimentos em pesquisa nos Estados Unidos foram feitos em projetos militares. A média mundial foi de 10%. Segundo o professor Figueiredo, 50% dos ganhadores norte-americanos de prêmios Nobel foram financiados por programas das Forcas Armadas, enquanto em outros países o porcentual é de 30%. Muito do conforto ou de tratamentos médicos não existiria sem as pesquisas na área de defesa. A internet, o GPS, o raioX e a espuma que reveste colchões são alguns poucos exemplos.

Na área nuclear, o potencial brasileiro é imenso. As reservas de urânio do Pais são estimadas em 800 mil toneladas. Só o Cazaquistão e a Austrália teriam mais. Mesmo as comprovadas 309 mil toneladas nos colocam em posição privilegiada. Com os planos de aumento de produção, o excedente em 2012 chegará a 1,2 mil toneladas por ano, segundo a Aben. O suficiente não só para abastecer a demanda de submarinos nucleares, mas para erguer novas usinas de energia, reduzir a importação de isótopos usados na medicina e melhorar técnicas agrícolas. E refletir sobre aquele dilema levantado no início deste texto: queremos ou não construir armamentos atômicos?

domingo, 30 de agosto de 2009

Submarino francês é alvo de novas críticas

O submarino da DCNS tem um retrospecto de atrasos e falhas técnicas na Índia e no Chile, dois dos únicos três operadores.

O submarino de propulsão diesel-elétrica Scorpène, que faz parte de um pacote de € 6,8 bilhões fechado pelo governo brasileiro com a estatal francesa DCNS, tem um retrospecto de atrasos e falhas técnicas na Índia e no Chile, dois dos únicos três países no mundo que operam esse equipamento militar - o outro é a Malásia, onde o contrato com a empresa esteve na origem de escândalos políticos.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, deverá assinar o contrato com o Brasil, negociado em 2008, durante a visita oficial que fará ao país, na primeira semana de setembro. A programação de Sarkozy em Brasília inclui até mesmo sua presença no desfile militar do Dia da Independência.

As maiores evidências de problemas com o modelo francês estão na Índia, que fechou um contrato em 2005 para a compra de seis submarinos convencionais da França, por US$ 3,9 bilhões. O contrato com a Índia previa a entrega de um submarino por ano, a partir de 2012. No entanto, o programa acumula dois anos de atraso e seus custos subiram pelo menos 10%. De acordo com o governo indiano, a construção dos equipamentos deveria ter atingido 27% do total em dezembro passado, mas só houve progresso efetivo em 9% das atividades. O relato foi feito pelo ministro da Defesa local, em 20 de julho, ao Parlamento da Índia.

Numa audiência com congressistas, o ministro reclamou de problemas com a transferência de tecnologia prometida pelos franceses e advertiu que os atrasos "provavelmente terão impacto" na capacidade das forças marítimas indianas. Da frota de 16 submarinos convencionais, incluindo russos e alemães, sete deverão sair de operação até 2012. Isso preocupa as autoridades do país, no contexto de uma região com forte tensão geopolítica - Paquistão e China estão aumentando rapidamente as forças de combate marítimas.

O contrato da Índia com a França prevê a construção dos submarinos a diesel, com transferência de tecnologia, em um estaleiro indiano localizado em Mumbai. Também em julho, o escritório indiano de Auditoria e Controladoria Geral (CGA) apontou a existência de "vantagens financeiras indevidas" à França. "Foram feitas (aos franceses) grandes concessões em termos de garantias, desempenho das garantias bancárias, arbitragem e liquidação de prejuízos", concluiu a auditoria.

A Marinha do Chile, que encomendou dois aparelhos Scorpène em 1997 e foi uma das primeiras parceiras da França no projeto, admitiu ter enfrentado algumas complicações. Pouco após a entrega da primeira unidade, em dezembro de 2005, o SS-1 O"Higgins, o então comandante da Marinha, almirante Rodolfo Codina, declarou que um dos motores apresentava "problemas pontuais": uma infiltração de água pelo sistema de resfriamento, que trazia riscos de oxidação de partes do aparelho.

Dentro do contrato de € 6, 8 bilhões com a França, o Brasil gastará € 1,660 bilhão com quatro submarinos de propulsão diesel-elétrica, que custarão € 415 milhões por unidade. A construção, no Rio de Janeiro, do casco do primeiro submarino nuclear brasileiro custará mais € 2 bilhões. Vale ressaltar que a França participará apenas com a parte não nuclear do projeto, já que a Marinha do Brasil está desenvolvendo integralmente o reator atômico do futuro submarino, cujo protótipo os almirantes dizem que ficará pronto em 2014.

Do restante do investimento, € 1,8 bilhão será aplicado em um novo estaleiro (para a construção dos equipamentos) e de uma nova base naval, capaz de abrigar o novo submarino nuclear. Também será investido € 1,240 bilhão na compra de armamentos, como torpedos, no processo de transferência de tecnologia e no apoio logístico integrado. De acordo com a Marinha, mais de 30 empresas brasileiras serão beneficiadas com compensações oriundas do acordo.

A compra dos submarinos franceses foi acertada em dezembro do ano passado, durante visita de Sarkozy ao Rio de Janeiro, como parte do acordo de parceria estratégica entre o Brasil e a França. Agora, em setembro, será firmado o contrato de financiamento, com a definição das fontes de empréstimos e dos valores de juros praticados.

No dia 12 de agosto, a Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) autorizou a "preparação comercial" de um empréstimo de € 4,3 bilhões, por um consórcio de bancos liderado pelo BNP Paribas, e contrapartida brasileira de € 598 milhões. A soma não contempla o valor total do pacote, porque os recursos para a construção do estaleiro e da nova base naval serão desembolsados pelo Tesouro.

A Marinha analisou três projetos para aumentar sua frota de submarinos: o russo AMUR 1650, o alemão IKL 214 e o francês Scorpène. Segundo o comando militar, os estudos apontaram que o Scorpène atendia melhor às necessidades brasileiras, por ser "mais moderno" e ter "maior intervalo entre manutenções". Com restrições orçamentárias, no entanto, decidiu-se construir apenas mais um submarino. O programa nuclear, prioridade número um da Marinha, vinha sendo mantido em estado quase vegetativo desde 1996.

O cenário mudou radicalmente no início de 2007, quando o presidente Lula conheceu o Centro Tecnológico da Marinha e o programa nuclear dos militares. Lula prometeu aplicar R$ 130 milhões por ano no desenvolvimento de um reator atômico. Faltava à Marinha a capacidade de desenvolver projetos de submarinos nucleares capazes de abrigar o futuro motor atômico.

Diante do novo quadro, a Força passou a buscar "parcerias estratégicas" com detentores dessa tecnologia e dispostos a transferi-la. A Alemanha não constrói submarinos de propulsão nuclear e a HDW, fabricante do IKL 214, acabou perdendo um contrato praticamente certo.



Dos três países com quem inicialmente havia feito contatos, a Marinha diz só ter encontrado disposição dos franceses em transferir tecnologia. "Depois de longo e acurado processo de escolha, a França foi o país selecionado, porquanto seu único concorrente, a Rússia, não desejava transferir tecnologia, mas, tão-somente, vender submarinos, o que não correspondia aos interesses do Brasil", afirma uma nota recente da Marinha. A promessa da Força é ter o protótipo do reator pronto em 2014 e o submarino nuclear, em 2021. Como exige espaço maior, as obras para a construção do casco não poderiam ser realizadas no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, no centro da cidade, e decidiu-se então por erguer um novo estaleiro e uma nova base naval para abrigá-lo no futuro.

Escrito por Defesa Brasil

Russia interessada em comprar o BPC Mistral da França


O chefe do estado-maior da Esquadra russa anunciou, nesta quarta-feira, que seu país estuda a aquisição, da França, de um vavio de empregos múltiplos do tipo “Bâtiment de Projection et de Commandement” (BPC). O general Makarov, que fez a declaração durante uma viagem com o presidente Medvedev, explicou que a Rússia deseja, eventualmente, dispor de quatro a cinco navios deste tipo. Falando sobre o primeiro navio, o oficial indicou que Moscou desejaria assinar o acordo ainda este ano.

Nenhum detalhamento foi dado em relação ao valor esperado da transação, nem à divisão de trabalho industrial imaginada. Se o negócio for concluído, o primeiro BPC, pelo menos, poderá ser construído em Saint-Nazaire na França. Efetivamente, os estaleiros russos não aparentam dispor ao momento de meios industriais eficientes o suficiente para a realização de uma unidade como esta, concebida sob normas civis a partir de uma série de grandes blocos pré-equipados.

Mas é seguro imaginar que, se o acordo progredir, a indústria russa acabará sendo envolvida no programa, já que os contratos de exportação envolvem, tradicionalmente, algum tipo de transferência de tecnologia. Deve-se lembrar o exemplo das fragatas para Cingapura onde o primeiro navio foi construído pela DCNS (projetista do BPC) na França e os navios seguintes construídos localmente, com assistência técnica francesa. Se a Rússia encomendar um BPC da França o navio poderá ser colocado em serviço já em 2012.

Seria uma novidade, do tipo que não ocorre desde a Segunda Guerra Mundial Um contrato como este representa, em todo caso, uma das mais belas, senão a mais bela vitória comercial de exportação da história da DCNS. Jamais, desde as entregas de armas por americanos e britânicos durante a Segunda Guerra Mundial, a Rússia comprou grandes equipamentos militares do ocidente. Igualmente, para além do eventual programa BPC, este contrato poderá se constituir na ocasião do grupo naval francês DCNS se posicionar para participar do futuro projeto de porta aviões russos, grandes e complexas plataformas cuja realização exigirá sem dúvida de uma substancial melhoria nos estaleiros russos.

De aqui até lá, será preciso ver se um primeiro BPC será efetivamente encomendado e de que tipo ele será. A Rússia pode optar por simples gêmeos dos BPC franceses Mistral e Tonnerre. Concebidos para a projeção de forças e capazes de servir de Posto de Comando flutuante a uma operação conjunta, navios de 199 metros apresentando um deslocamento de 21.500 toneladas quando carregados. Dotados de vastas instalações médicas, eles podem embarcar 16 helicópteros, quatro lanchas de desembarque (ou dois veículos rápidos do tipo L-CAT ou LCAC), 70 veículos e 450 homens da tropa de desembarque.

Além do modelo adquirido pela Marine nationale, a DCNS igualmente propõe, para exportação, diversas versões do BPC, que vão desde 14.000 até 27.000 toneladas. Fora da Rússia o grupo francês espera inserir seu produto em outros países como a África do Sul e o Canadá. Fonte: Mer et Marine Comentário da ALIDE

Curiosamente, na conclusão do texto acima, o autor não citou o Brasil como potencial cliente do BPC, a despeito de nossas fontes indicarem que este seria o projeto preferido da Marinha do Brasil para cumprir a missão de “Navio de Múltiplo Emprego” conforme detalhado na END. Adicionalmente, o autor parece nem se preocupar com a perspectiva de tal venda vir a ser absolutamente conflitante com os objetivos e políticas americanas de contenção do poder naval futuro da Rússia.

Não é difícil prever a escala da pressão política a que o Palácio do Eliseu terá de se submeter para conseguir levar este contrato a termo. Vejamos como este assunto progride.


Nelson Jobim diz que submarinos franceses ficam prontos até 2021

Agência Brasil - O Globo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou nesta quinta-feira que os cinco submarinos que o Brasil construirá em parceria com a França ficarão prontos até 2021. De acordo com Jobim, serão fabricados quatro submarinos convencionais e um nuclear.

Ele destacou que, neste último caso, o Brasil vai produzir o propulsor nuclear e a França vai transferir toda a tecnologia não nuclear para o país.

- Isso (tecnologia nuclear) não se transfere para ninguém. Nenhum país transfere tecnologia nuclear para outro - ressaltou o ministro, ao participar de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

A construção dos submarinos faz parte de acordo firmado em dezembro do ano passado pelos dois países, que visa à transferência de tecnologia militar francesa para o Brasil.